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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Superbactéria KPC



Não bastasse a onda de gripe suína que assustou a humanidade quando se espalhou num nível pandêmico, agora o Brasil alerta sobre uma bactéria. Não é mais o vírus suíno que preocupa, já que este se mostrou menos prejudicial do que o temido.
A superbactéria denominada KPC (Klebisiella Pneumoniae Carbapenemase) é muito resistente aos antibióticos. A diferença dessa bactéria frente às outras é sua grande resistência que ela adquire conforme o indivíduo contaminado vai tomando antibióticos.
Essa bactéria já era conhecida, porém passou por modificações devido aos antibióticos. Os primeiros casos registrados no Brasil aconteceram no Distrito Federal e em algumas semanas outros hospitais, atentos com o caso da capital, começaram a voltar sua atenção para essa bactéria e registrar outros casos. Por isso a Ministério da Saúde já está providenciando medidas para conter uma possível evasão dos hospitais para outros setores.
A ANVISA criará novas leis para a venda de antibióticos em qualquer farmácia ou drogaria. Todos os antibióticos deverão ser vendidos mediante receita médica. Assim eles receberão os mesmos cuidados dos psicotrópicos, será um medicamento controlado.
O alvo dessa bactéria são pessoas que tenham uma imunidade comprometida e pacientes de UTIs de hospitais.
Tudo indica, segundo pesquisas, que essa superbactéria é uma bactéria recente adquirida em países do sul da Ásia e trazidas para o Brasil por viajantes que realizaram cirurgias plásticas por lá.
Em 2009 um estudo foi publicado na revista "The Lancet" informando que esta bactéria KPC assim como outra chamada de Escherichia Coli (que produz infecção urinária) possui um gene denominado NDM-1 que torna a bactéria muito resistente aos antibióticos mais fortes como a classe dos carbapenemas.
A superbactéria causa pneumonia e, se não contida, pode causar uma pandemia no futuro. O que é preocupante.
Na Grã-Bretanha também há casos e foi identificado que a bactéria por lá veio através de pessoas que viajaram para a Índia e para o Paquistão à procura de tratamentos cosméticos. Pessoas foram analisadas tanto na Grã-Bretanha quanto na Índia e no Paquistão. Na Índia foram feitas análises em duas cidades, sendo que em uma delas, 1,5% dos analisados estavam contaminados e 8% na outra cidade, o que dá um total de 70 casos. Isso em 2009. Na Grã-Bretanha os únicos medicamentos efetivos foram a Tigeciclina e a Colistina.
Alexandre Cunha, infectologista e atual presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia do Distrito Federal, quem tem mais chance de se contamina com a bactéria KPC são pacientes com sondas ou cateter hospitalizados em UTIs. Pessoas que venham a ter contato com o paciente contaminado têm poucas chances de desenvolver uma doença relacionada à bactéria se tiver com sua imunidade bem equilibrada. Mesmo se a bactéria estiver sob a pele ou no trato digestivo. Ainda segundo ele deve haver mais atenção na assepsia e cuidado para que a bactéria não se espalhe por outras unidades de atendimentos de pronto-socorro.
A prevenção é essencial já que o tratamento é difícil. Por isso os médicos e enfermeiros devem tomar os mesmos cuidados que os visitantes como a higienização das mãos, usar de luvas e máscara para uma prevenção mais eficaz. Além disso, deve-se isolar a pessoa contaminada como medida de segurança.
Segundo o Jornal Correio Brasiliense um dos grandes obstáculos no combate a essa bactéria, principalmente se houve uma epidemia é a falta de antibióticos no mercado. Os médicos, nessas circunstâncias, devem misturar até três medicamentos para criar um antibiótico efetivo, o que torna o medicamento muito caro. O principal fator de contaminação por essa bactéria é a falta de higienização, geralmente quando um paciente contaminado é transferido de um leito para o outro. Além do leito infectado é nesse momento em que médicos e enfermeiros tem contato com a bactéria.
Ouvida pelo Correio Brasiliense, a infectologista Maria de Lourdes Ferreira Lopes declara que a regulamentação da ANVISA ajudará no controle das infecções nos ambientes domésticos e hospitalares. Ela também afirma que "o uso indiscriminado de antibióticos em hospitais e pela população em geral é o principal motivo de aumentos das resistências bacterianas no Brasil".
Tudo isso acontece, segundo ela, porque o cidadão em sua casa tem uma febre e já vai comprar um antibiótico até mesmo sem prescrição médica. Se for contaminado por um vírus que naturalmente fica no corpo menos de 48h já toma antibióticos, seja comprado ou num estoque em casa onde há sobras de antibióticos usados em infecções anteriores. Tudo isso ajuda as bactérias a ficarem cada vez mais resistentes. O que ocorre, mais especificamente é que quando tomamos antibióticos nós eliminamos tanto a flora natural do intestino quanto as bactérias. Porém algumas bactérias sobram e se modificam se tornando mais resistentes. Como não há flora suficiente para combate essa nova bactéria ela fica livre para atuar no organismo e uma nova dosagem de antibióticos não fará efeito algum.
José Gomes Temporão (ministro da saúde) já aplicou medidas que devem ser cumpridas pelas farmácias e drogarias de todo o Brasil. Essa lei obriga que os farmacêuticos só vendam antibióticos mediante a apresentação de receituário médico. E fica a cargo da ANVISA a responsabilidade por punir o comércio que não cumprir com essa determinação.

Informações sobre a bactéria KPC e métodos de tratamento e prevenção:

  1. A bactéria KPC, denominada popularmente como "Superbactéria" é resistente a 95% dos medicamentos fornecidos pelo mercado farmacêutico.
  2. Ela surgiu devido às mutações genéticas aos antibióticos. É um mecanismo de defesa natural da bactéria para sua sobrevivência.
  3. A confirmação da contaminação de uma pessoa é feito através da análise do material coletado do sistema digestivo.
  4. Cerca de 90% das pessoas que tem contato com a bactéria não desenvolvem doenças relacionadas.
  5. Se o paciente estiver com a imunidade baixa pode desenvolver um processo infeccioso.
  6. As doenças podem variar entre uma leve infecção no sistema urinário até uma pneumonia grave que pode resultar em morte.
  7. Poucos são os medicamentos eficientes para combater a infecção. Um deles é chamado de polimixina.
  8. Para prevenir novas contaminações, as pessoas que tiveram contato com uma pessoa infectada devem lavar suas mames e desinfetá-las com álcool 70%.
  9. Profissionais da saúde devem manter as unhas bem aparadas (curtas), não devem se alimentar no ambiente de trabalho, usar cabelos presos e preferir usar sapatos fechados.

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