Ocorreu um erro neste gadget

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Carbono 14

Também chamado de radiocarbono 14, é um dos elementos químicos modificados naturalmente pela ação da radiação vinda do espaço sideral ou de elementos radioativos presentes no solo. O C14 (abreviado) é chamado assim porque não possui 6 prótons e 6 nêutrons como um carbono comum e estável. Ele possui 2 nêutrons a mais que com o passar do tempo se perde novamente ao meio ambiente. O carbono possui 5 tipos de isótopos e o que possui meia vida de 5730 anos o mais duradouro.

Para esclarecer mais como os cientistas usam esse isótopo do carbono, preciso esclarecer alguns detalhes sobre física também, já que este blog é sobre biologia. Um elemento químico é considerado estável quando ele possui o mesmo número de prótons e elétrons em seu núcleo. É instável quando possui nêutrons a mais ou a menos. Essa diferença ocorre naturalmente (claro que artificialmente também) na natureza, por isso encontramos radioatividade natural nos solos e principalmente nas ondas cósmicas vindas de estrelas pelo universo e que,  no final, alcança nosso planeta. O sol é uma das fontes da radiação.

Mas não se preocupem, a radiação, chamada de radiação gama, pode ser alta fora da atmosfera, mas nosso planeta bloqueia boa parte através de uma camada protetora no topo da atmosfera chamada de ozônio rica em oxigênio agrupado em moléculas de 3 átomos de oxigênio que é tóxico ao nosso organismo, mas felizmente ficam há centenas de quilômetros de altura bem longe da gente, nos protegendo da radiação do espaço sideral.

Mas vamos ao que interessa. Como o radiocarbono se forma?. Muito bem. Lá no topo da atmosfera além do oxigênio, também há muito nitrogênio. As moléculas de nitrogênio, quando bombardeadas pela radicação do espaço, se transformam em gás carbônico com isótopos de carbono 14 que descem pela atmosfera e atingem nossa superfície terrestre. As plantas, como vocês já aprenderam desde cedo na escola, realizam fotossíntese, ou seja, usam o gás carbônico para viver e acabam incorporando gás carbono modificado, o C14.

A incidência de C14 em meio ao estável C12 é de uma partícula por trilhão, por isso, não faz mal para a planta. Além disso, segundo os cientistas, tal proporção de C14 ao C12 é a mesma sempre na atmosfera. Mas tal proporção já é suficiente para medirmos a sua presença em plantas ou animais (que comeram tais plantas ao longo de suas vidas). Segundo os estudos, o C14 fica em níveis constantes nos organismos que o absorveu enquanto estiveram vivos. Após morrerem, seja planta ou animal, o C14 começa a decair pela metade a cada 5730 anos.

Os dois nêutrons inseridos no dióxido de carbono (que contém C14) saem da seguinte forma: Um nêutron se transforma num próton, ou seja, o átomo passara a ter 7 prótons e não 6 mais. E outro nêutron será eliminado de volta à atmosfera na forma de radiação beta (outro tipo de radiação). Veja que um vestígio permaneceu no fóssil que passará a contar com carbono modificado em sua matéria, passível de ser medida e datada. 

5730 anos é a meia vida do C14. Conforme o tempo vai passando e o animal fossilizando, o C14 vai se desintegrando até restar uma quantidade muito pequena e difícil de ser detectada pelos aparelhos sensíveis à radiação do C14. Mas até lá, leva-se até 50 ou 60 mil anos de decaimento possível de ser medido dando sua data com precisão. Por isso, os cientistas acreditam que esse método de datar fósseis seja confiável até um limite de 50 mil anos.

Tal confiança se deve ao fato de estudos rigorosos no decaimento radioativo do C14 e em testes realizados em amostras com data já determinada (respaldadas por documentos históricos). O método de datação não serve apenas para animais e plantas fossilizados, mas também para objetos feitos com material orgânico pelo homem milhares de anos atrás. Para objetos e fósseis mais antigos que 50 mil anos, usa-se outros métodos de datação como análise das camadas de solo e até isótopos de outros elementos químicos com meia vida maior.

Deve-se a Willard Libby a invenção do método de datação através do C14, que nos anos 40 percebeu que o C14 vai diminuindo num ritmo constante em matérias orgânicas. Libby também percebeu que por volta de 50 mil anos, a datação se tornava imprecisa devido aos limites práticos de sensibilidade dos detectores usados para medir o C14. Outros exemplos de amostras que podem ser datadas por esse método são conchas de mar, carvão, sedimentos orgânicos, ossos e carbono isolado também.

A amostra a ser datada deve ser pura, ou seja, deve ser livre de qualquer contaminação por material orgânico mais recente que ainda tenha alto índice de C14. Por isso a amostra deve ser retirada do solo com cuidado além do próprio solo ser estudado para se assegurar que não há agentes contaminantes por perto. Bactérias ou radiações de urânio podem contaminar o material que apresentará uma idade mais recente, caso comum na datação de combustíveis fósseis.

O corpo do ser humano também possui C14 porque se alimenta de planta e animais, mas como dito antes, possui numa quantidade pequena a ponto da radioatividade não danificar a saúde. Doses de C14 já foram administradas a pacientes para tratamento de doenças, mas atualmente o C13 se mostrou mais seguro por ter uma radiação menor. Uma curiosidade sobre o carbono é que ele pode ser criado naturalmente a partir de outro elemento. Como já informado, o C14 é criado na atmosfera superior quando o nitrogênio e o oxigênio são bombardeados por radiação cósmica.

Apesar dos experimentos científicos assegurarem a confiabilidade da datação por C14, há muita controvérsia entre os cientistas e grupos teístas que se confrontam em alegar datas radicalmente diferentes para os fósseis estudados. Enquanto que a ciência não teísta diz que um fóssil pode ter 50 mil anos ou até milhões de anos através de outros métodos de datação, os teístas (religiosos) afirmam que não apresentam essa idade e sim, no máximo alguns milhares de anos. Há até alguns cientistas teístas que estudam física e outras ciências afinco e tem leituras diferentes usando o mesmo método de datação por C14. Mas isso é assunto para um artigo mais específico.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Curiosa Vida das Cigarras

Há muitos anos um episódio de um seriado de comédia mexicana mostrou um triste caso de uma cigarra que perdeu seu marido. Ao ser interrogada pela Branca de Neve sobre a saúde do seu companheiro, a dona cigarra respondeu que ele foi fumado.
Logo se percebe a relação e até hoje os adultos contemporâneos que se entretinham com tal seriado se lembram e acham engraçado a situação hipotética de uma cigarra macho sendo acesa como um cigarro. Mas acontece que a origem dos nomes não tem relação. O termo "cigarra" tem origem latina enquanto que "cigarro" provém do castelhano e francês.

As cigarras são insetos que vivem mais tempo no solo do que nas árvores, por isso é um engano acreditar que elas possuem uma vida curta.  Algumas espécies podem viver até 17 anos e outras apenas 2 anos, mas ainda assim é um tempo de vida longo para um inseto. Os biólogos afirmam que uma vida tão longa foi um meio de evitar sua extinção já que muitos dos predadores em potencial vivem menos e não reconhecem a cigarra como alimento, dando assim mais segurança às mais de 1500 espécies de cigarras existentes em todo mundo, e não importa se é clima frio ou quente. Elas estão por muitos continentes.

Entretanto as cigarras possuem predadores que não ficaram bloqueados pelo ciclo de vida da cigarra. Alguns besouros, formigas, tatus e até fungos e bactérias são predadores da cigarra enquanto elas vivem no solo. Vale lembrar também do ser humano, seu principal predador, que as extermina de suas plantações visando lucros, principalmente de plantações de café, um dos locais que a cigarra adora viver.

A cigarra, como dito acima, pode viver de 2 até 17 anos, sendo que as cigarras que vivem mais estão na América do Norte e na América do Sul as que vivem menos. Eu mesmo acreditava que elas viviam, todas, sem distinção, 17 anos. Mas não é bem assim. Aliás, eu também acreditava que elas explodiam de tanto cantar, mas verifiquei que essa crença surgiu quando seus corpos eram encontrados eclodidos e grudados nos galhos das árvores. Na verdade é apenas a casca de seus corpos que foram abandonadas após a ninfa atingir a fase adulta, bater suas asas, começar a cantar, acasalar, botar ovos e o processo se repetir tudo de novo.

A cigarra possui uma metamorfose incompleta, ou seja, dos ovos viram diretamente ninjas e não precisam ficar uma fase de jejum. Após se tornar adulta, a cigarra,  vive apenas 2 semanas (ou mais em algumas espécies de florestas mais densas). Na fase adulta ela sobe nos galhos, canta, se reproduz e bota seus ovos em pequenas fendas feitas pela própria cigarra onde colocará seus ovos. Os ovos, após eclodir, liberam ninjas que descem até o chão através de teias. Para entender melhor, uma borboleta passa pela fase de pupa antes da fase de ninfa.

No solo, onde a ninfa da cigarra passa a maior parte de sua vida, ela se alimenta da seiva das raízes das plantas. A planta pode adoecer e morrer dependendo do número de ninfas parasitas em suas raízes. Por isso pode se tornar uma praga para as plantações, principalmente às de café como informado acima. Os agricultores costumam combatê-las usando um tipo de fungo que é prejudicial à elas levando-as à morte. Também podem usar juntamente inseticidas para que ela se torne mais frágil ao ataque dos fungos.

Sua cantoria se deve mais aos machos que às fêmeas. Os machos possuem em seu abdômen um sistema composto por músculos e outros elementos que emitem os sons estridentes que ouvimos durante sua época de reprodução. As fêmeas emitem um som, porém mais baixo. E por falar em som, algumas espécies de cigarra alcançam facilmente 120 decibéis exigindo que o próprio macho tenha uma proteção natural em seu tímpano para não sofrer danos de sua própria canção, que, vale lembrar, serve para atrair a fêmea. E uma outra espécie o som é tão agudo que é inaudível pelo homem, mas pode provocar pânico em cães que conseguem ouvir.

Para colocar seus ovos, a cigarra rompe a casca dos galhos em que se fixa e lá coloca seus ovos podendo chegar à várias centenas. Sua alimentação na fase adulta é a mesma da fase de ninfa. Ela suga a seiva da planta, só que desta vez a partir das folhas e galhos. Tal hábito da cigarra de se alimentar e reproduzir na planta que se hospeda causa o que chamamos de "depauperação", que é a retirada de partes da planta para consumo de parasitas.

Como há centenas de espécies com hábitos diferentes, é natural que seus tamanhos também variem tanto. O tamanho das cigarras varia de 1,5 centímetros até 6,5 centímetros. Alguns espécimes podem chegar a mais de 10. Vale lembrar também espécie é diferente de espécime. Enquanto a primeira é todo o grupo a segunda se refere a um indivíduo isolado, ou seja, encontraram uma cigarra que atingiu mais de 10 centímetros, um caso isolado.

Você talvez tenha medo ou receio de se aproximar de uma cigarra adulta, ela parece peçonhenta à primeira vista, mas as cigarras são totalmente inofensivas. Elas não possuem mecanismos de defesa além do próprio som emitido e do ciclo de vida. Quando ameaçadas elas até que cantam alto para se defender e liberam uma substância ao tentar fugir de quem tente tocá-las. Antigamente pensava-se que tal líquido era venenoso, mas análises concluíram que tal substância é basicamente água com leve resíduo tóxico. (Provavelmente é a seiva da qual ela se alimenta).


Glossário
Ecdise - É o termo técnico para definir o momento em que uma cigarra sai de seu corpo de ninja e se transforma em uma cigarra adulta.
Hemimetabolismo - É a definição técnica para um metabolismo incompleto. Holometabolismo é o completo.
Cidadídeos - É a família da qual as cigarras pertencem.
Carineta Fasciculata - É a espécie brasileira.
Megicicada - É o gênero da cigarra norte americana que pode viver 17 anos.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Humanos!


“Um dos motivos que me fazem seguir a carreira de biologia”
Um vídeo emocionante que resume bem nosso sentimento como uma raça consciente frente à natureza.
Não deixem de assistir. Vale a pena.



Fantástica Viagem da Vida do Homem

A vida do Ser Humano
Do início ao fim
Por: Reginaldo Ferrão
Óvulo e Espermatozoides – Fecundação Humana
O espermatozoide é a célula reprodutiva masculina, também chamada de “gameta masculino”, que possui uma parte do código genético para a formação de uma vida. Supõe-se que tenha surgido a cerca de 500 milhões de anos e ainda possui traços genéticos inalterados desde então. Composto por três partes básicas: A “cabeça”, onde se situa o código genético, a “cauda” (flagelo) que permite sua locomoção rumo ao ovócito da mulher e uma substância presente no topo da cabeça chamada de acrossoma” que são enzimas que ajudarão a entrada no ovócito e possui uma combinação específica da espécie, ou seja, só haverá fecundação se o acrossoma for da mesma espécie do ovócito (salvo raras exceções). O ovócito possui a outra metade do código genético além da mitocôndria que é algo exclusivo da herança materna.  Vale ressaltar que o termo “óvulo”, que todos gostam de pronunciar é, na verdade, o ovócito fecundado pelo espermatozoide. Tecnicamente é a partir desse ponto que ele pode ser designado como óvulo.

O meio mais usual de fertilização de um ovócito, ou seja, de uma gravidez, se dá através do ato sexual em si. Porém atualmente já contamos com fertilização in vitro onde espermatozoides são colocados ao lado dos ovócitos para fecundá-los e depois o pré-embrião é colocado no útero. Contamos também com uma técnica mais avançada chamada de injeção intracitoplasmática onde o espermatozoide é injetado no ovócito. Além de tudo contamos também com a técnica de inseminação artificial. Então os meios de atingir a gravidez são bem diversificados hoje em dia e poderá progredir ainda mais com novas técnicas criadas pela engenharia médica. Experimentos mais surpreendentes são realizados com manipulação de cromossomos que podem gerar filhos sem a participação de um homem. Mas isso é um assunto delicado que as leis éticas atuais não permitem.  

Além das diferentes técnicas de fecundação, seja natural ou artificial, ainda há a possibilidade de uma gravidez natural resultar em mais de um filho. Isso acontece, na maior parte dos casos, por causa da presença de dois ovócitos maduros (ovócito secundário) esperando nas trompas do órgão sexual feminino e cada um é fecundado por um espermatozoide diferente gerando gêmeos fraternos que são geneticamente diferentes. Ocorre também de um óvulo se dividir em dois zigotos gerando dois filhos que serão gêmeos idênticos com mesmo DNA.

No entanto há um terceiro e raro caso descoberto mais recentemente, onde um único óvulo recebe dois espermatozoides. Na maioria dos casos o óvulo não se desenvolve e quando desenvolve geram gêmeos semi-idênticos, pois possuem 100% do DNA materno e apenas 50% do DNA paterno. Infelizmente, nesse caso, os filhos semi-idênticos podem apresentar problemas de má-formação como o que ocorreu com os gêmeos semi-idênticos na década de 90 quando um deles nasceu hermafrodito, foi nessa ocasião que descobriram uma terceira forma de gerar irmãos gêmeos.

O nome “óvulo” se destina somente ao ovócito que já recebeu o material genético do espermatozoide, ou seja, que foi fecundado e, eticamente, se for destruído ocorrerá um aborto.  Enquanto o ovócito é a maior célula do corpo humano, o espermatozoide é a menor das células, podendo ser produzidos aos milhões por dia. Mas, na grande maioria dos casos, apenas um espermatozoide chegará primeiro ao ovócito fecundando-o e tornando-o um óvulo que se fechará aos outros graças a um mecanismo de defesa que fecha a membrana celular impedindo a entrada de um segundo espermatozoide. A membrana mais externa do gameta feminino (ovócito) é aberta pelo acrossoma do gameta masculino (espermatozoide) e quando ele entra sua membrana se funde com a do ovócito originando uma nova membrana.

Mas não é qualquer ovócito que a mulher produz que será fecundado. A mulher produz ovócitos mesmo antes de nascer, por volta do terceiro mês de vida intrauterina. Os primeiros ovócitos são imaturos e chamados de ovócitos primários, uma mulher recém-nascida tem cerca de 400 mil desses em seus ovários. Durante a puberdade, a mulher passa a ter menstruação (menarca) e o ovócito primário se divide gerando dois novos ovócitos, um deles é estéril (glóbulo polar) e será eliminado pelo organismo. O outro é o ovócito secundário que será enviado do folículo para as trompas onde aguardará uma possível fecundação do gameta feminino com o masculino e em seguida se dirigir ao útero.

Os espermatozoides são protegidos pelo liquido seminal (90% do esperma). Mas no interior da vagina existem substâncias ácidas para combater os germes. Tais substâncias também matam boa parte dos espermatozoides. Próximo às trompas a situação é mais favorável e a locomoção ocorrerá com mais liberdade com a ajuda do líquido seminal e de líquidos lubrificantes a base de cálcio da própria vagina além de pequenas contrações do canal vaginal. Das centenas de milhões de espermatozoides, apenas algumas centenas chegarão ao destino.

Nas trompas, chamadas de Trompas de Falópio, estão células com cílios que impedem que boa parte dos espermatozoides vindos do útero chegue ao ovócito que lá está maduro e aguardando (ou ovócitos, dependendo do caso). Mas devido à imensa quantidade de espermatozoides do sêmen alguns chegam lá. Dizem que o espermatozoide mais rápido é o melhor geneticamente, mas ainda são necessários estudos mais precisos para se comprovar tal afirmação, uma vez que os espermatozoides não se movimentam em linha reta e são estimulados por fatores externos.


Os Primeiros Anos de Vida
A gravidez humana pode durar 42 semanas ou mais. O bebê quando nasce sofre uma alta carga de adrenalina, semelhante à de um ataque cardíaco para ajudar na sobrevivência. Após o parto os pulmões do bebê respiram pela primeira vez, mas ele ainda está cheiro de líquido amniótico. Nesse instante e o bebê corre o risco de morrer afogado se o pulmão não entrar em funcionamento logo. Por isso ocorre um espasmo espontâneo nos músculos da respiração. Ao nascer o bebê sente frio e ao respirar sente dor. Por isso chora logo que nasce. Caso contrário o médico dá as famosas palmadas para estimular seu choro que é algo importantíssimo no nascimento e ajuda o bebê a respirar pela primeira vez.

O ar entra pela traqueia e chega aos pulmões. Lá o ar atinge os brônquios, depois os bronquíolos. Em seguida o ar chega aos alvéolos pulmonares (são cerca de 30 milhões de alvéolos pulmonares) e finalmente chega ao sangue com oxigênio que será levado para abastecer as células do corpo que devolvem, em troca, o gás carbônico.
Seus órgãos precisam se adaptar novo ambiente em que viverá o resto de sua vida: O ambiente externo, cheio em adversidades naturais como variações de temperaturas e microrganismos. É um momento de total atenção dos pais.

Agora seu coração trabalha dobrado para aquecer o sangue que se esfria com mais facilidade. Duas aberturas no coração que o bebê usou durante a vida intrauterina para desviar o oxigênio vindo da mãe pelo cordão umbilical serão fechadas para sempre. Seu coração receberá oxigênio dos seus próprios pulmões que segue caminhos e aberturas diferentes como a aorta que é a principal artéria do corpo humano que se divide em diversas outras levando o sangue através de milhares de vasos sanguíneos para aquecer o corpo e alimentar as células.

Com alguns dias de vida, tudo o que fazemos é por instinto, até mamar.  O leite materno é rico em vitaminas e glóbulos brancos que serão bem vindos pelo corpo do bebê que ainda não possui defesa imunológica completa. Apenas leite materno deve ser servido até os seis meses de idade porque possui todos os nutrientes que a criança precisará. Além disso, é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde.
O fígado realiza mais de 500 funções como eliminação de toxinas e produção de calor. No recém-nascido o fígado chega a representar 5% do peso total do corpo o suficiente para ser identificado visualmente através do volume formado próximo ao final das costelas. Seu tamanho vai diminuindo proporcionalmente ao longo da vida.

O rim procura manter o balanço entre o volume de água para abastecer as células e a quantidade que deve ser eliminada na urina. Uma curiosidade é que um dos rins fica um pouco mais inferior que o outro e ambos estão próximos à coluna vertebral, por isso em alguns casos de cólica renal é comum o paciente se queixar de dor nas costas.

O intestino está repleto de células mortas e de líquido amniótico ingerido que gerarão uma substância escura esverdeada chamada de mecônio que se constitui nas primeiras fezes do bebê após nascer.  Caso o bebê elimine essa substância corrosiva ainda na barriga da mãe é necessário cuidado redobrado na hora do parto para que a criança não aspire ou inale o líquido amniótico. Por isso exames logo após o nascimento são importantes para garantir que nada foi ingerido ou inalado. Em alguns povos de antigamente, jogar a fralda com o mecônio do recém-nascido sobre o telhado da casa da mãe era uma superstição que atraia saúde para o bebê. Os primeiros goles de leite aceleram a excreção do mecônio.

A digestão começa na boca. A saliva representa um papel muito importante conferindo aos alimentos uma prévia dissolução e lubrificação para chegar até o estômago onde receberá outras substâncias para a digestão e assim percorrer todo o intestino.  Desde o momento em que o alimento desce pela boca adentro, existe um movimento involuntário chamado de “movimento peristáltico” que ajuda a empurrar o bolo alimentar para frente, por isso é possível comer até de cabeça para baixo. Peristaltismo também é o nome que se dá aos movimentos involuntários de todo o corpo humano, inclusive das cãibras.  

O estômago possui músculos que se contraem para ajudar na tritura dos alimentos com a ajuda de sucos gástricos que são muito ácidos e possuem enzimas para digerir as proteínas. Para se proteger o estômago possui um revestimento (mucosa) bem resistente. Caso não seja, ocorrem as populares úlceras.  Camadas de muco são frequentemente renovadas para dar conta do recado.

Após uma hora no estômago, o alimento é enviado ao intestino delgado (fino). Sua primeira porção é chamada de duodeno, onde serão absorvidos os principais nutrientes. Agora o alimento não se chama mais “bolo alimentar” e sim “quino” e após ser processado pelo intestino é “quilo”. Ainda no intestino delgado, é liberada uma substância pelo pâncreas que neutraliza os ácidos do estômago. O fígado também entra em ação liberando a bílis, uma substância amarelada que ajudará na digestão da gordura.

Nas paredes internas dos intestinos existem milhões de pequenas vesículas que aumentam a área de absorção de nutrientes que ocorrerá em cerca de 1 hora e meia. Para passar para o intestino grosso há uma válvula por onde o alimento, já quase completamente digerido, passa.  Sua função é impedir que o quino volte ao sentido inverso.  A principal função do intestino grosso é absorver água.  No final o que sobra são restos alimentares, células mortas e bilhões de bactérias. Os restos de alimentos possuem cadeias de carboidratos que ainda não foram digeridas e as bactérias tem a função de quebra-las  ajudando na digestão final.  Todo esse processo leva cerca de 12 horas.

O corpo humano é uma máquina microscopicamente desenhada, seus órgãos possuem bilhões de células que trabalham em harmonia. Para cada órgão há um tipo de célula específica que possuem funções e até formatos bem diferentes umas das outras.  Dentro de cada célula, a unidade fundamental da vida, possui uma organização perfeita que ditam as regras da atividade que devem desempenhar interagindo com outras células ao redor ou até enviando informações a outras células bem longe através de hormônios.

No interior do núcleo celular está guardado o nosso DNA que possui as instruções para definir a vida, suas características e até o momento em que os órgãos começam a falhar nos levando à morte.  Mas o DNA não é tudo, há também fatores externos que influenciam nossa saúde como micro-organismos (bactérias, vírus, protozoários ou fungos), agentes químicos, radioativos e até mesmo a relação que teremos com as pessoas do meio ambiente em que vivemos.

Em toda parte existem bactérias potencialmente mortais. Estima-se que em nosso corpo existam 10 vezes mais bactérias do que células do próprio corpo. Vale lembrar que uma bactéria é ser vivo unicelular, que possui uma única célula, porém muito menor que a célula humana, mas que pode causar muitos males à saúde.  A pela sofre ataque constante desses micro-organismos.  O sistema imunológico do recém-nascido ainda não tem forças para vencer essa invasão. Por isso a importância da amamentação com anticorpos a partir do leite materno até que sua imunidade amadureça os mantendo saudáveis.

Desenvolvimento dos Sentidos
Visão:
Algumas percepções já estão bem desenvolvidas ao nascermos. No entanto enxergamos mal. O mundo está embaçado e sem cores.  Mesmo antes de nascer já existem impulsos visuais causados geneticamente, mesmo sem estímulos luminosos. Após o nascimento o bebê não consegue enxergar mais do que 30 centímetros a sua frente e essa distância vai aumentando ao decorrer do tempo chegando a alguns metros após os primeiros meses. É como se o bebê nascesse míope. As células nervosas no centro da retina se desenvolvem rapidamente assim como o córtex visual no cérebro. Mas até lá o bebê ainda não enxerga colorido, segundo os estudos.

A retina está repleta de cones e bastonetes, células especializadas em transformar luz em sinais elétricos. Os cones, encarregados de detectar as cores ainda estão imaturos por isso o recém-nascido enxerga tudo em branco e preto. Da retina, os sinais caminham pelos nervos óticos e são enviados para a parte de trás do cérebro onde as imagens recebidas serão processadas. Enxergamos com o cérebro e não com os olhos. Quando as imagens chegam ao cérebro surge outro desafio: Como identificar os dados com o sistema nervoso ainda imaturo?  Mas o progresso é rápido, aos dois meses conseguimos distinguir cores e sombras. Aos quatro meses identificamos as faces e aos oito nossa visão está completa.

Talvez a maior mudança ocorra na cor dos olhos. Quando nascemos eles estão azulados. Gradualmente a íris, a “menina-dos-olhos”, começa a produzir pigmentos que a escurece. O padrão de deposição desse pigmento varia tanto que se torna uma característica individual única, como se fosse uma impressão digital. Sua cor muda novamente em torno dos 40 e 50 anos com o acúmulo de lipídios evidenciando o envelhecimento dos olhos. Há casos de mudança na cor da íris em jovens que é o resultado de alto índice de colesterol no organismo.

Olfato:
As percepções do bebê são estimuladas ao máximo e seu cérebro cheio de neurônios ávidos por processamento através das informações enviadas pela audição, visão, olfato, paladar e tato.  O bebê aprende a identificar a mãe através do cheiro. No interior do nariz, nervos olfativos recebem as correntes de ar que respiramos. O ar inspirado está repleto de moléculas de cheiro liberadas no ambiente externo que são captadas pelos nervos olfativos, são convertidas em sinais elétricos que são enviados ao cérebro que os interpreta como aromas e dão a sensação olfativa.

Pode parecer que não, mas o olfato do ser humano está muito ligado às emoções. Tanto é que a região cerebral responsável pelo cheiro, o rinencéfalo, possui uma integração com as células límbicas. Por isso que uma pessoa que perde sua capacidade de sentir cheiros tem uma deficiência emocional notável. O cérebro, ao detectar o cheiro, toma uma decisão binária, ou gosta ou não gosta dele. Os prazeres em comer, fazer amor ou caminhar num bosque são estimulados pelos aromas e a redução do olfato também reduzem certas emoções.

O olfato permite memorizar melhor algum acontecimento que tenha envolvido um odor. Ao sentir tal cheiro novamente, rapidamente reconhecemos o cheiro que nos leva a lembrar de tal acontecimento. Além disso, uma experiência com um cheiro desagradável pode criar uma aversão a algo que pode estar associado com o cheiro, mas que esteve presente na ocasião. O cheiro cria uma memória fortemente relacionada.

Audição:
O ouvido humano, mais recentemente denominado como orelha, é composto pelo pavilhão da orelha (a orelha mesmo, popularmente chamada) o meato acústico (canal do ouvido), o tímpano (que capta as frequências de som), a orelha média e a orelha interna onde estão as peças mais importantes e frágeis da audição.  Ao nascemos, a audição está em sua melhor fase. Está melhor do que em qualquer outra fase da vida porque o ouvido humano não evolui e nem se restaura. Pelo contrário, vai perdendo capacidade ao longo do tempo. É por isso que os bebês são mais atraídos por barulhos nos primeiros meses de vida.

As vibrações sonoras recebidas pelo tímpano orelha são enviadas ao ouvido médio que possui os três menores ossos do nosso corpo chamados de Bigorna, Martelo e Estribo. Suas funções é amplificar em até 22 vezes as ondas sonoras através dos ossículos que se comportam como um sistema de alavancas e transferi-las para o ouvido interno onde há pequenos canais em forma de caracol (a cóclea). Na cóclea, em suas paredes internas, está uma infinidade de pequenos cílios que se movem estimulados pelas ondas sonoras.

Com o passar do tempo sons mais agudos danificarão progressivamente os cílios que irão perdendo sua capacidade de captar as ondas e não haverá volta. Uma vez os cílios danificados eles se tornam inúteis e o organismo não os conserta. Na cóclea há também o labirinto. Dentro estão três alças semicirculares dispostos em posições diferentes onde percorre um líquido em seu interior.

Tal líquido, ao se movimentar, acionam pequenos cílios (semelhante aos cílios da audição) que também enviam sinais ao cérebro indicando sua orientação no espaço. Cada canal está em um plano dando a capacidade de equilíbrio ao corpo humano e a possibilidade de sabermos em que posição nós estamos em relação à força da gravidade.  O bebê precisará desse incrível sistema de equilíbrio para aprender a andar. E isso ocorrerá de forma bastante instintiva.

Tato:
Aos oito meses nossos sentidos estão todos bem desenvolvidos e o sentido mais usado nesse momento é o tato. O tato é um dos cinco sentidos humanos proposto por Aristóteles a mais de 2.300 anos. É um sentido que nos permite identificar texturas, localização espacial, temperaturas e dor. Além da pele, o labirinto (localizado na cóclea que nos permite o equilíbrio) e as medulas também fazem parte do sistema tátil. Porém pode haver até oito divisões táteis com sensores diferentes para frio e calor, tensões e pressões. Um exemplo é a pressão exercida pelo estômago cheio causando a produção de hormônios da ansiedade.

Se uma pessoa é cega, então o tato passa a ser o sentido mais importante para ele que usará bengalas e escritas em braile. Até mesmo outros animais possuem uma forma desenvolvida de tato na falta da visão como longos bigodes e antenas e até eco localização como nos morcegos. Estudos revelaram que os cegos podem desenhar relativamente bem e seus desenhos mostram que sua percepção tátil é quase tão boa quanto a visão, ficando apenas sem cores e profundidade. Quando tocamos um objeto, receptores localizados sobre a pele enviam sinais elétricos através dos nervos sensitivos que caminham pelos braços, passam pela medula espinhal e chegam até o cérebro.  

Os impulsos elétricos do tato se movimentam a uma velocidade de 320 km/h. Temos sensores nervosos espalhados pela pele inteira, sendo as mãos, a face e a boca os locais mais sensíveis.  Temos nove mil receptores apenas na língua. É por isso que os recém-nascidos usam a boca para explorarem os objetos ao seu redor. A pele é nosso maior órgão sensorial além de ser o maior de todo o corpo. Nela estão espalhados corpúsculos que detectam pressão, calor, frio o simples tato leve. Porém não detectam dor. A dor é detectada por terminais nervosos livres.

Talvez a melhor característica do tato seja seu efeito psicológico. Desde o nascimento estamos usando este sentido de forma espontânea ou proposital. O bebê precisa de um abraço materno para seu desenvolvimento psicológico e físico assim como sua falta pode gerar um indivíduo indiferente à sociedade. O ser humano aproveita da técnica da satisfação tátil quando, propositalmente, encosta sua mão no ombro de seus clientes em potencial ou oferece uma cadeira com mais conforto. Tais técnicas são usadas há muito tempo e foram comprovadamente estudadas resultando em um lucro até 20% maior. Os garçons que o digam.

Paladar:
Paladar ou gustação é o sentido capaz de reconhecer sabores de alimentos colocados na língua e sua função é complementada pelo cheiro liberado até os nervos olfativos. Por isso o olfato e paladar trabalham juntos na degustação de alimentos. As papilas gustativas são os sensores responsáveis por captar substâncias com gostos diferentes e enviar sinais elétricos ao cérebro para processar então se o alimento é neutro (como a água), saboroso ou não.  Por consenso reconhecemos com o paladar cinco gostos básicos: Amargo, azedo, doce, salgado e um que quase ninguém sabe: O umani, que foi reconhecido somente em 1985. O umani é o sabor de glutamatos e nucleotídeos considerados como sabores mais saborosos.

O ser humano também possui o paladar subdesenvolvido ao nascer porque sempre se alimentou de leite materno nos primeiros meses sendo desnecessário seu melhor rendimento tão cedo. Uma coisa já dita antes, mas que convém relembrar: Bebês adoram explorar o mundo através da boca, seja em amamentar o enfiar objetos na boca para experimentá-los e não é por menos, através da boca eles sentem os objetos pelo tato e pelo paladar.  Eles estão na “fase oral” e é natural que eles levem os dedos à boca.

Estudos americanos descobriram uma determinada proteína presente nas papilas gustativas e verificaram que ela é responsável pela melhor aceitação do gosto amargo pelo paladar. Pais que tenham poucas dessas proteínas transferem para seus filhos sua genética, e com ela a carência dessa proteína. Se os pais tem aversão pelo amargo, o filho provavelmente também terá. Esse estudo que também avaliou o hábito alimentar da mãe, mas não há provas de que o sabor dos alimentos da mãe possa ser passado ao feto com as mesmas características iniciais. O que se sabe atualmente é que genética, primeiros alimentos na infância e cultura são os fatores principais que definirão o habito alimentar de um novo indivíduo humano.

A Linguagem Humana
Ao contrário dos outros animais, nós humanos levamos um ano ou mais para aprender a andar além de nascermos com deficiência visual. Porém nascemos com uma capacidade incrível de aprender sobre tudo e com cordas vocais evoluídas. Juntando os dois temos uma grande vantagem evolutiva. Aprendemos a falar e transmitir ideias através da comunicação vocal. O ser humano começa a falar com um ano de idade e seu vocabulário aumenta muito. Tanto que aos dois anos de idade aprendemos cerca de 10 palavras novas por dia.

A região do cérebro responsável pela linguagem é chamada de “Área de Broca” (pronuncia-se “brocá”). Foi descoberta a mais de 150 anos pelo cientista francês Paul Broca estudando o cérebro humano de pessoas com dificuldade de fala.  Por meio da Área de Broca criamos sentenças e expressamos pensamentos complexos.
 Na laringe estão nossas cordas vocais que vibram em contato com o ar devidamente controlado oriundo dos pulmões. A língua, os dentes, o céu-da-boca, o palato, os lábios e a própria mandíbula ajudam a enriquecer a linguagem através de movimentos específicos.

O Cérebro e o Aprendizado
Nosso cérebro vai sendo abastecido de informações através do sentido ao longo dos anos, mas não bastam muitos para criamos nossas próprias perguntas sobre o mundo e sobre nós mesmo. Temos agora consciência da nossa identidade e individualidade. Aprendemos a pensar por nós mesmos. Aprendemos cada vez mais cedo para atender as exigências do mundo atual. Além disso, nossa alimentação rica em vitaminas e proteínas nunca foi tão boa ao longo da história humana e junto com a educação rica em conhecimentos acumulados aumentam as fronteiras da curiosidade humana.

Formamos memórias na infância que nos acompanharão por toda a vida. Aos 5 anos de idade estamos em uma fase incomparável. Somos mamíferos com uma longa fase de iniciação para a vida. Os cachorros, por exemplo, no mesmo período equivalente já estão se reproduzindo completamente aptos para a vida. O ser humana leva mais tempo para atingir a fase reprodutiva, mas isso não é preocupante. Na verdade temos mais tempo para aprender e a sua infância é totalmente voltada para o aprendizado.

Há uma cronologia aceita cientificamente hoje para as primeiras etapas de vida do ser humano. Muito até aqui se informou sobre bebês e recém-nascidos. Por consenso, o ser humano é considerado recém-nascido até completar um mês de idade. Até os 18 meses é considerado bebê.  Dos dezoitos meses até aos 12 anos é definido como criança. A infância é a soma de todos esses períodos juntos que são a base para a formação de personalidade que, até se firmar, passará por uma série de mudanças influenciadas pela genética, educação e cultura. 

Nosso cérebro possui mais de 100 bilhões de neurônios que são estruturas nervosas responsáveis pela nossa inteligência e consciência. Os neurônios se comunicam por impulsos elétricos de uma forma bem elaborada inalcançável até então pelos computadores atuais. O cérebro é responsável pelo uso de grande parte da energia gasta pelo corpo, recebe 25% do sangue bombeado pelo coração para abastecê-lo de oxigênio e seu hemisfério esquerdo representa 98% das atividades cerebrais responsável pelo pensamento lógico e comunicação.

Cada impulso cerebral é uma fração de um pensamento ou memória. Todo impulso que o cérebro recebe das percepções humanas renovam neurônios e criam conexões novas. Todas as conexões existentes no cérebro não se ligam diretamente, ou seja, os neurônios não se conectam solidamente, entre os neurônios há um espaço vazio denominado sinapse onde ocorre a liberação de neurotransmissores, que são substâncias produzidas pelos neurônios com finalidade de permitir a passagem de informações entre os neurônios.

A memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar as informações seja no cérebro ou em dispositivos artificiais como a memória RAM e ROM de computadores. Aprender é criar novas conexões entre os neurônios e a repetição de ações permitem a memorização das ações. Quanto mais repetimos, mais inesquecível se torna a memória que requer grande quantidade de energia, mas infelizmente vai se deteriorando com o tempo. Na prática, memórias e conhecimentos diferentes ajudam a criar ideias e permitem a tomada de decisões no cotidiano humano.

Quando precisamos nos lembrar de algo ativamos os mesmos neurônios da conexão criada antes. Com as experiências da vida o cérebro vai se modificando desde a fase fetal. O córtex cerebral representa 80% da massa cinzenta cerebral e é responsável por armazenar as informações do aprendizado o que nos torna capazes de pensar, refletir, recordar, comunicar, adaptar às novas situações e planejar o futuro.  Segundo alguns estudiosos, a formação completa do lado racional do cérebro, responsável pelo aprendizado, se desenvolve completamente por volta dos sete ou oito anos de idade. É a fase chamada de maturidade cerebral.

Ferimentos na Infância
A infância é a melhor época do aprendizado porque está construindo conexões o tempo todo. Não só na sala de aula que ocorre sua educação, mas em todas as suas atividades. Se machucar é comum por viver experiências novas. Assim que a pele é machucada o organismo entra em ação para restaurá-la. A vitamina envolvida nesse processo é a vitamina K encontrada em alimentos ou produzida no intestino pelas bactérias da digestão. Além de ajudar a parar sangramentos, ela ajuda na formação dos ossos e fortalecimentos dos cabelos de todo o corpo. Sua falta gera acúmulo de cálcio no sangue e hemorragias incontroladas.

O ferimento tratado pelo próprio organismo envolve vários agentes do organismo. Além da vitamina K, entram em ação as plaquetas sanguíneas e as fibrinas que funcionarão como blocos na saída do sangue em ferimentos diminuindo a hemorragia gradativamente formando a famosa “casquinha” ou coágulo que, segundo os médicos, não deve ser retirada para não atrasar o processo de cicatrização. Os glóbulos brancos combatem as bactérias que se aventuram pelo machucado. Os restos de células mortas, tanto de bactérias quanto a nossa própria são limpas por células especializadas nisso, chamadas de “células macrófagas” que incorporam em si a sujeira.

O leve inchaço ou inflamação no local do ferimento é resultado do aumento da circulação de sangue que leva consigo componentes para a restauração. Para criar uma pele nova surgem os fibroblastos que são células ricas em colágeno que dará liga à pele nova que terá uma tonalidade diferente da pele ao redor da ferida justamente por ser uma pele nova. Essa diferença, tanto de textura é o que chamamos de cicatriz. A multiplicação celular na infância ocorre mais rapidamente para aumentar a massa de todo o corpo além de manter as células novas o tempo inteiro, por isso a cura dos ferimentos ocorrem melhor nessa fase da vida permitindo até mesmo a eliminação permanente da cicatriz.

Doenças
Vírus e Bactérias
Conforme vamos nos tornando mais velhos, ainda na juventude, nos relacionamos cada vez com mais pessoas. É na escola onde conhecemos mais pessoas na juventude, mas essa liberdade longe da proteção de casa nos coloca frente a frente com microrganismos diferentes, vírus, fungos ou bactérias contagiosas que se proliferam pelo ar ou pelo contato com utensílios usados por outras pessoas. Felizmente a maior parte da ameaça é combatida por sistemas de defesa do nosso corpo antes de alcançar nosso sangue. São os pelos do nariz, a cera do ouvido, as lágrimas, os cílios e até as sobrancelhas que se encarregam de aprisionar os agentes infecciosos antes de causarem mal ao nosso sistema biológico.

A pele é a nossa maior defesa do mundo externo. Conforme as células são renovadas, as escamas com células mortas são descartadas juntamente com as bactérias nocivas à nossa saúde. Já a boca é mais vulnerável e contêm, inevitavelmente, milhares de bactérias alojadas que, em outras regiões internas do nosso corpo poderiam ser letais. Na boca não oferecem tanto risco por que são combatidas pela saliva repleta de enzimas antibacterianas. Se as bactérias estivessem em outro órgão como o coração, por exemplo, poderiam ser mortais.

O lado ruim da estória é que alguns agentes infecciosos como os vírus, por exemplo, acabam se infiltrando no nosso organismo e chegam ao sangue onde tem acesso direto a todo o corpo humano. O vírus não é um ser vivo porque não contém organelas ou ribossomos e nem enzimas suficientes para ter sua própria independência de reprodução. Para se reproduzir, eles se fixam em uma célula e usa seu potencial reprodutivo para criar filhos e assim sucessivamente até o sangue estar infestado com milhões deles.  A caxumba é uma doença viral e seus sintomas são febre e lesões na pele ocorrendo apenas em seres humanos.

O Sistema Imunológico
A febre possui uma importante função. Além de avisar que o organismo está combatendo algum corpo invasor, como um vírus, por exemplo, ela impede que o vírus se reproduza com facilidade devido ao aumento da temperatura corporal.  Lembre-se bem desse nome: “Pirexia”. É o nome técnico da febre que ocorre quando a temperatura normal do corpo humano, que é em torno de 36 a 37,4°C, aumenta. As crianças são mais suscetíveis às febres porque a maioria dos vírus e bactérias é desconhecida e o organismo ainda não possui prostaglandinas (hormônios que ajudam na circulação de glóbulos brancos) suficientes.

Um vírus, quando se aloja numa célula, desperta o sistema imunológico do corpo que irá defender o organismo com glóbulos brancos e outros agentes de defesa. Eles liberam uma toxina na célula infectada que, juntamente com os vírus em seu interior, é automaticamente destruída. As lesões na pele provocadas pelos vírus como da caxumba são resultados da batalha entre os glóbulos brancos e os vírus onde o campo de batalha, a lesão neste caso, é o local onde há vírus e células mortas.

Nosso sistema imunológico vai se enriquecendo aos poucos conforme combate novas doenças que, apesar de algumas ocorrerem cedo, tem suas vantagens porque ajuda nosso corpo a se fortalecer. Os anticorpos usados no combate de certos vírus estarão de prontidão para eliminá-los novamente antes mesmo que se proliferem. Vale relembrar que antes recebíamos a proteção imunológica através do leite materno, agora, expostos ao meio ambiente externo, somos capazes de nos proteger produzindo nossos próprios anticorpos.

As vacinas dadas logo na infância são propositais para fortalecer nosso sistema imunológico. A vacina provém de “vaccina”, um vírus que causa a varíola bovina, mas quando aplicado no ser humano proporciona a resistência à varíola humana. Além disso, uma vacina pode conter apenas proteínas e toxinas específicas, partes de vírus ou bactérias (em alguns casos eles inteiros) modificados ou inativos que provocarão um alarme falso estimulando a produção de agentes de defesa como os glóbulos brancos, as prostaglandinas e as células macrófagas.

Adolescência
Aos 11 anos o corpo sofrerá uma mudança drástica e rápida. A ingenuidade da infância ficará para trás e entrarão em ação hormônios pela primeira vez modificando visivelmente o corpo inteiro, além de alterações mentais e sociais. A adolescência é uma transição entre a fase da vida infantil para a adulta. O indivíduo humano nessa fase aprende as responsabilidades dos seus atos com experiências de convívio social. Adquire mais liberdade para conhecer novas pessoas e locais e se prepara para deixar o ninho dos pais.

Não há um consenso sobre um ponto inicial ou final para a adolescência. Além disso, há épocas diferentes entre o início da adolescência fisiológica e sociocultural ficando assim, a adolescência como um período que pode começar aos 12 anos e se estender até aos 21 anos. O corpo de cada ser humano amadurece em épocas diferentes dependendo da sua genética e cada país prevê sua própria maioridade social que varia, por exemplo, de 16 anos nos EUA e 18 anos no Brasil.

A Puberdade
A puberdade começa no cérebro. Mais exatamente em uma região denominada hipotálamo que libera a proteína kisspeptina, a proteína da puberdade e fertilidade sexual. Ela foi descoberta recentemente e a partir dela alguns hormônios são produzidos pela primeira vez no corpo do jovem adolescente.  A hipófise (ligada diretamente ao hipotálamo) recebe comandos do hipotálamo para secretar dois hormônios chamados de Hormônios Folículo-estimulantes e Hormônios Luteinizantes que irão para áreas diferentes do corpo dependendo do sexo.

Nos meninos, por volta dos 11 anos de idade, os folículo-estimulantes estimulam a produção de espermatozoides e os luteinizantes iniciam a produção de testosterona que dará as características físicas masculinas. Nas mulheres o processo ocorre mais cedo, por volta dos 9 anos de idade. Nelas os folículo-estimulantes levam ao amadurecimento dos “Folículos de Graaf” onde são produzidos os ovócitos. (Vale lembrar que, tecnicamente, “óvulo” é a definição de um ovócito já fecundado por espermatozoide). Nesse momento ocorre também a liberação de estrógeno (características corporais femininas) e a progesterona (maturidade sexual) importante para a gravidez. O hormônio luteinizante que, no homem liberou a testosterona, na mulher irá regular a menstruação.

O ovário não é responsável apenas pela ovulação, ele também produz os hormônios femininos que alteram o corpo e as emoções também. As transformações no corpo masculino ocorrem nas cordas vocais deixando a voz mais grossa, aumentam o crescimento dos pelos, aumentam o número de espermatozoides e músculos. As mudanças ocorrem no cérebro também e diversas novas conexões são formadas ocasionando alterações na personalidade da pessoa que experimentará novas emoções. Talvez a maior emoção experimentada seja a atração pelo sexo oposto, um marco na vida do adolescente evidenciando sua maturidade sexual.

Amadurecimento
As células
Nessa fase nós deixamos de aprender para viver a vida. Nosso corpo está completo para ser usado por toda a vida. Aos 20 anos atingimos a estatura máxima, mas jamais deixaremos de nos modificar. Na verdade nosso corpo dificilmente será totalmente velho porque a maioria das células se renova em alguns dias ou anos. Praticamente todo nosso corpo se renova a cada dois anos, mas há as células permanentes que jamais se modificam como dos músculos estriados e dos neurônios. As células do cabelo são as que se multiplicam com mais rapidez. Trilhões de células formam nossos órgãos e tecidos e com o passar dos tempos elas ficam fracas e morrem.

Já se suspeitava que o corpo dos animais, incluindo o homem, pudesse ser formado por unidades básicas, mas foi somente em 1665 que um cientista chamado Robert Hook conseguiu visualizar e descrevê-las pela primeira vez. Em poucos anos os microscópios melhoraram e pequenas células em atividade puderam ser vistas e compreendidas como hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) e bactérias. Algumas células podem ser vistas a olho nu como a gema do ovo e as pequenas vesículas do interior da laranja, aquelas pequenas estruturas que estouram quando chupamos a laranja.

Os Ossos e os Músculos
Não adianta lamentar os momentos de uso mais intenso do corpo como correr e usar os músculos. Somos projetados para realizar movimentos em um ambiente com gravidade e relevos. Assim é para todo organismo vivo na face da Terra que planeja se desenvolver e reproduzir. Por isso os antigos naturalistas observavam os movimentos da natureza e logo associaram a vida. Nós, humanos, temos articulações, membros, músculos e coração para dar conta do recado num simples ato de subir uma escada ou fugir de um incêndio.

Sempre procuramos conforto neste mundo, mas os exercícios físicos devem ser praticados diariamente para manter a saúde equilibrada. Um bom exercício ajuda nas funções celulares de todo o corpo. Com o corpo sendo exercitado em uma corrida, por exemplo, o coração se contrai mais forte para enviar sangue a todo o corpo e o pulmão também se beneficia, se expande e coloca mais alvéolos para absorver oxigênio. E por falar em pulmão, sua superfície interna é imensa. Se fosse esticado cobriria uma quadra de tênis.

Com os exercícios físicos, os ossos recebem pressão e estimulam a renovação de suas células. A medula óssea (popular tutano) é um tecido esponjoso presente no interior dos ossos. Sua importante função é criar células sanguíneas (plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos) e ósseas como os osteoblastos e os osteoclastos que são células ramificadas com múltiplos núcleos e ricas em cálcio que conferem a elas a rigidez necessária dos ossos.  Células velhas do sangue são reaproveitadas para formar novas células sanguíneas na medula óssea dos ossos longos e a principal substância reaproveitada é o ferro.

Temos normalmente 206 ossos e 650 músculos em todo o corpo. Tais músculos se hipertrofiam (se tornam maiores) na fase adulta devido aos hormônios e aos exercícios físicos que, se praticados logo na adolescência, definiram uma aparência física saudável mais permanente na fase adulta. Eles, os músculos, representam um terço do peso total de um adulto, são importantes por permitir os movimentos corporais e, junto com os ossos, proteger os órgãos internos.

Nossos músculos agem rápido recebendo impulsos elétricos do cérebro a uma velocidade de 300 km/h. Os movimentos podem ser voluntários ou involuntários como as batidas do coração, as câimbras, os soluços e os movimentos do sistema digestivo (movimentos peristálticos). Outro bom exemplo de movimento involuntário é o movimento rápido da mão em contato com uma superfície quente. O corpo recolhe o braço involuntariamente. Neste caso o cérebro não é usado. A própria medula espinhal se encarrega de defender o corpo enviando impulsos elétricos para realizar o movimento.

Os músculos são fibras que se dividem em porções e tamanhos diferentes. Seu aumento se deve ao estresse provocado pelos exercícios de um trabalho braçal ou academia rompendo algumas fibras e na restauração automática do organismo acabam recebendo material extra aumentando seu volume e conferindo mais força. Os estímulos elétricos saem do sistema nervoso central, percorre os nervos e chegam às células musculares que absorvem cálcio e liberam potássio para exercer a contração muscular.

O ser humano possui três tipos de músculos. Os estriados esqueléticos, os estriados cardíacos e os lisos. As suas células, assim como as outras, trabalham por combustão, ou seja, queimam o oxigênio para gerar energia e calor. Seu alimento, além do oxigênio, é creatina (os praticantes de academia que digam), fosfato, proteínas, carboidratos e gorduras. O ácido lático, que é um subproduto das células musculares que impede a renovação da energia necessária para a contração do músculo cansado. É aí que entram os suplementos de academia como a creatina que reduz a formação de ácido lático.

Degradação do Corpo
Cigarro
Agora que é adulto, o indivíduo faz suas próprias escolhas e muitas delas agridem seu corpo através de bebidas alcóolicas, o cigarro, diversos tipos de drogas, falta de exercícios e até mesmo a alimentação inadequada, seja em grande ou pouca quantidade. O cigarro é um dos primeiros experimentos de risco para sua saúde. Embalado pela juventude, onde o corpo jorra saúde e se restaura com facilidade (comparado com a velhice), muitos jovens não se preocupam, acreditam que tem controle do seu organismo.

O cigarro possui mais de 4 mil toxinas entre elas, a mais famosa, é a nicotina, que adentra nosso organismo através da respiração. Atravessam os alvéolos pulmonares onde boa parte dos poluentes são barrados. Mas não adianta mais, a toxina já está no pulmão causando males. A nicotina, uma das toxinas presentes no cigarro, entra na corrente sanguínea e atinge o cérebro em menos de 20 segundos o que é um tempo rápido comparado com outras drogas como cocaína, crack e morfina. Por isso o prazer em fumar é quase instantâneo levando a dependência rapidamente. Vale lembrar que qualquer droga inalada age mais rápido do que se fosse ingerida.

Som Alto
E já que somos donos do nosso corpo logo cedo, mas não temos experiência de vida ainda, explorar os prazeres da vida pode causar danos sérios ao nosso organismo. O mais perigoso dos danos é a surdez causada pelo excesso de ruído porque não apresentam sinais rapidamente. Como já dito antes, a audição só é possível através de um complexo e frágil sistema auditivo que possui pequenos cílios em seu interior que vibram com as ondas sonoras e vão se endurecendo com o tempo. Quanto mais expostos ao som alto e contínuo, mais aceleramos esse dano. Acontece que os jovens querem explorar seus sentidos, por isso se expõem intensamente em locais com som alto como discotecas ou com aparelhos portáteis de músicas, mais uma oferta irresistível da modernidade.

Bebidas Alcoólicas
Criada a mais de 6.000 anos, a bebida alcoólica é a droga mais vendida no mundo por causa do seu livre comércio e seu público alvo são também os jovens inexperientes. Além de ser uma bebida para relaxar, infelizmente também é um guia para tragédias no trânsito e degradação da saúde se consumida em excesso. Os principais sintomas são: Relaxamento, falta de coordenação motora, autoconfiança e redução dos reflexos. O hipocampo e o lobo frontal são as regiões cerebrais que sofrem mais danos com o álcool e estudos revelaram que o cérebro de adolescentes e jovens adultos é mais frágil. O consumo logo cedo revelou ser prejudicial na formação da sua personalidade afetando a memória e conduta na fase adulta.

O álcool não elimina apenas o líquido em excesso no corpo causado pela própria bebida, mas elimina água que já estava no corpo antes. Por isso o álcool desidrata porque interfere no funcionamento dos neurônios fazendo regiões trabalharem mais rápido, como a região responsável pelos rins, e outras terem sua atividade reduzida ou até paralisada. Após a bebedeira, o organismo precisa se restaurar. Além do cérebro o fígado é outro órgão muito afetado pelo álcool. Ele é responsável por mais de 500 funções no corpo humano, entre elas está a eliminação das toxinas acumuladas pelo consumo de álcool usando para isso água. Se não bebermos água numa ressaca, é o cérebro, composto por 75% de água que irá perder um pouco da sua causando dor de cabeça.

Vida Conjugal
Sedução
Um novo desafio para o indivíduo adulto é escolher um parceiro para viver junto e com ele se reproduzir. A união conjugal é um fenômeno físico e social, mas envolve muito da biologia. Os homens são estimulados pelo que veem e o simples ato de observar a mulher se despir ou andar com roupas justas são suficientes para ativar o desejo sexual enquanto as mulheres são mais suscetíveis à audição e ao tato. Para a maioria dos homens o sexo é independente do sentimento e atingir o orgasmo e a autossatisfação é o que importa.

A lei da maioria dos países exige um homem se case ou viva apenas com um parceiro sexual, é a chamada monogamia. Ela é um sistema onde o homem não pode ter mais de uma mulher ao mesmo tempo e vice versa. Porém isso é quase impossível na sociedade atual onde é comum ver traições entre os casais. Mesmo que um indivíduo se envolva com outro parceiro após o fim de um relacionamento, ele é tecnicamente um polígamo em série, ou seja, que possuiu mais de um parceiro na vida.

O cheiro característico da atração sexual se chama feromônio (ou feromona) que é liberado pela pele junto com o suor é dissipado no ar. Nos insetos e mamíferos ele é comprovadamente utilizado de forma eficaz em diversas finalidades além da sexual, como demarcar territórios, alertar sobre perigos e se comunicar. Mas no ser humano ainda não existem comprovações científicas sobre sua existência. É claro que existem odores bons e ruins liberados na pele, mas um aroma próprio para a atração sexual nos humanos é palco de muitas controvérsias entre os próprios cientistas.

Hormônios
Algumas substâncias são produzidas no nosso organismo quando estamos próximos de alguém que nos interessamos como a adrenalina que acelera nosso coração, ou a dopamina, responsável pelo bem estar, ambos neurotransmissores. Antigamente, nos tempos da vida na selva, antes da civilização (evolutivamente falando) a adrenalina esteve associada com os perigos do meio ambiente, mas ainda hoje a produzimos. Nos tempos modernos e seguros de hoje a adrenalina se manifesta também de outras formas como na ansiedade e insegurança para falar com a pessoa que gostamos. Sua função básica é preparar os músculos do corpo para um movimento brusco num momento de perigo.

A dopamina, por outro lado, nos transmite uma sensação de prazer e pode ser tão viciante quanto à cocaína. Geralmente ela é liberada em maior quantidade logo após uma alta carga de adrenalina. Por isso não ficamos aliviados apenas com a adrenalina que voltou aos níveis normais, mas também pela liberação maior da dopamina para desestressar o corpo tenso. Atua no cérebro e também no coração. Por isso é comum o uso de medicamentos a base de dopamina para pessoas com certos problemas de coração.

Casamento e filhos
Após o namoro é o momento de casar. Apostamos num casamento para a vida inteira. É a monogamia em cena, pelo menos aqui no Brasil e nesta época. O casamento remonta a própria consciência humana. Desde os primórdios o homem, assim como outro animal, procura procriar e ter uma boa parceira para gerar filhos. Não bastou muito tempo até que, segundo consta nos registros históricos, Roma passasse a realizar cerimônias com um toque a mais de sentimento e oficialização. Mas biblicamente também está escrito que um homem deve ter uma mulher para seguir a vida e procriar.

Biologicamente, um casamento será duradouro se a química for favorável. E o hormônio que torna não só o casamento, mas a relação de pais com filhos duradouros é a ocitocina (também chamada de oxitocina). Esse hormônio é produzido pelo hipotálamo e secretado pelas glândulas suprarrenais. Até recentemente acreditava-se que a ocitocina ocorria somente na mulher para ajudar na amamentação e no parto. Porém estudos mais recentes descobriram que a ocitocina é liberada principalmente durante o sexo, desde os preliminares até o relaxamento após o sexo consumado. No homem o nível ocitocina aumenta cinco vezes na hora do orgasmo e na mulher aumenta mais ainda gerando orgasmos múltiplos.

Se existe uma definição para a origem biológica do amor seu nome é ocitocina, porque além de inundar o corpo de prazer, em baixas doses ela é responsável por laços afetivos entre um casal e entre pais e filhos. É difícil imaginar como a raça humana pudesse ter evoluído se não houvesse os hormônios, principalmente a ocitocina, o “hormônio do amor”, para nos ajudar na união. Sabendo disso não demorou que criassem medicamentos baseados na ocitocina. Mulheres com dificuldades no parto e lactação e homens agressivos podem receber tais medicamentos para ajuda-los, desde que acompanhados por um especialista.

Traição Biológica e Cultural
Apesar de a cultura humana desenvolver laços matrimoniais e termos um parceiro para completar as tarefas que envolvam dinheiro, casa, filhos e sentimentos, ainda há uma polêmica com relação às traições conjugais. Estudos recentes revelaram que a raça humana apresenta características de animais promíscuos, ou seja, que competem por reprodução.

Animais como chimpanzés e gorilas, que copulam com vários parceiros sem escolher um em especial para toda a vida, tem esperma com velocidade semelhante ao do homem (0,7 km/h) enquanto que os animais tipicamente monogâmicos possuem esperma com velocidade menor (0,1 km/h). Tais diferenças se devem a espécie que disputa ou não pela reprodução.  Talvez seja por isso que naturalmente o ser humano admira o corpo bem desenvolvido do sexo oposto que é sinal de uma boa genética para os descendentes.

Parece, segundo uma visão geral na humanidade, que apesar dos instintos sexuais falarem alto, um homem e uma mulher perceberam que unir laços, mesmo que temporários, foi importante para a criação da prole. Um descendente humano requer mais tempo para se tornar adulto e se tornar independente se comparado com os demais mamíferos e alcançar a segurança tão cedo seria difícil se fosse cuidado apenas por um dos pais durante o início de sua vida.

Mas as traições também são influenciadas pela época e local. Antigamente, por exemplo, a mulher era exclusivamente do lar e quem traia, geralmente, era o homem. Após a revolução industrial em diante, as mulheres entraram no mercado de trabalho. Com um grupo de trabalho mais unissex a traição aumentou porque, a partir daí, um homem passava mais tempo com colegas de trabalho que com sua esposa abrindo margens para uma poligamia inevitável.

Gravidez
Apenas uma célula, o óvulo, será multiplicada várias vezes durante 40 semanas a fim de gerar um bebê no final do processo. Neste caso o espermatozoide já está no óvulo, caso contrário a definição seria “ovócito” como já explicado anteriormente. Durante esse período de 9 meses a mulher passa por transformações corporais e comportamentais. Logo que o óvulo se fixa no colo uterino a menstruação é interrompida, ou seja, a mulher não irá ovular mais nesse período, salvo alguns casos patológicos.

Há vários sintomas que somados dão indícios da gravidez, porém isolados são sintomas de outras condições físicas. O primeiro sinal se dá com o atraso da menstruação. Simultaneamente a mulher pode ter inchaços, dor nos seios e cólicas parecidas com as menstruais. Desejos alimentares, escurecimento dos mamilos e aumento da frequência urinária são outros sintomas bem comuns. Não há uma explicação adequada para as náuseas, mas acredita-se que seja uma forma do organismo expelir toxinas nocivas ao feto, principalmente na fase inicial do embrião, quando é mais frágil. Outra teoria diz que as náuseas são causadas pelo sistema imunológico da mãe que tenta combater um suposto corpo invasor.

O feto se comporta como um parasita (o que pode explicar as náuseas). Para se proteger, o feto desenvolve junto ao seu corpo várias formas de proteção sendo a placenta a principal. A placenta se forma a partir do óvulo que também dá origem ao feto, por isso a placenta possui vasos sanguíneos com sangue fetal que não se mistura com o sangue materno. Além disso, a placenta é por onde o bebê recebe os alimentos e oxigênio da mãe e também impede que moléculas pesadas e prejudiciais contaminem o feto. A placenta também estimula a produção de diversos hormônios como progesterona, estrógeno (dilatação das veias) e prolactina.

Os nutrientes são enviados através de membranas situadas na placenta que funciona como filtro. O corpo materno precisa se reorganizar internamente para dar conta de acomodar o bebê que crescerá bastante, tanto que o ovário será esticado até 1.000 vezes comparado ao seu tamanho original. Numa mulher grávida os órgãos internos são reposicionados e pressionados para ceder espaço ao útero com o bebê. Além disso, eles precisam trabalhar dobrado para manter dois corpos ao mesmo tempo. Os músculos e ligamentos das costas são relaxados para controlar o peso da barriga e a mulher passa a ter outra postura para manter o equilíbrio. O estômago da mãe sofre uma pressão que altera seu tamanho. Por isso a mãe passa a se alimentar menos por vez, mas várias vezes ao dia enquanto que o bebê exige cada vez mais nutrientes.

O nascimento é declarado após a saída do bebê do corpo da mãe. A data e o horário são marcados como início  do seu nascimento e assim é na maior parte das culturas ao redor do mundo, sendo que algumas consideram outro momento. A obstetrícia é a parte da medicina voltada para o parto sendo que em países como Portugal tal procedimento é realizado por um ginecologista especializado.  O parto é um período definido entre as primeiras contrações até o estancamento da hemorragia que pode durar de 8 a 15 horas sendo mais rápido no segundo filho. As contrações são involuntárias e voluntárias que, somadas, ajudam na hora do parto.

A primeira fase do parto consiste nas contrações e rompimento do saco amniótico. Na segunda fase ocorre a expulsão do bebê pelo canal vaginal onde o bebê, na maioria das vezes, nasce de cabeça para baixo. A terceira fase consiste na saída da placenta e membranas com ajuda de contrações também. A quarta e última fase de um parto é quando ocorre o estancamento da hemorragia e pode levar uma hora com a ajuda de uma contração uterina que contrai os vasos sanguíneos.

Apesar de o Brasil ser campeão em cesarianas, o parto normal, cujas fases são as descritas acima, tem grandes vantagens sobre uma cesariana. A dor pós-parto, por exemplo, é quase nula. A recuperação e lactação são mais rápidas, além da mãe participar ativamente no nascimento. Uma cesariana só é indicada em casos de risco em um parto normal quando os quadris da mãe são muito estreitos ou o feto apresenta uma posição que dificulta o nascimento natural.

Envelhecimento
Começamos a envelhecer logo que nascemos. Mas é em torno dos 30 aos 40 anos que as primeiras evidências do envelhecimento começam a apontar no corpo. A pele começa a apresentar as primeiras rugas que são aceleradas se a pele for exposta muito tempo ao sol. Além disso, o corpo sofre durante décadas a ação da gravidade. A pele fabrica cerca de 40.000 novas células todos os dias para repor a pele mais superficial que vai morrendo com as agressões do sol e do atrito. Mas chega uma fase da vida em que a pele demora mais para se renovar. Aos 48 anos de idade, uma pessoa já descartou cerca de 180 quilos de células mortas da pele, a qual se renova constantemente. Calcula-se que a célula mais velha da pele não tenha mais que um mês de idade.

O colágeno é uma proteína de tripla-hélice fabricada pelas células para manter as células unidas e sua carência é uma das principais causas do envelhecimento do corpo. O colágeno é importante para a consistência de órgãos, ossos, tendões e pele (a pele também é considerada um órgão). A pele possui um tecido conjuntivo em sua camada mais profunda, a hipoderme, onde o colágeno atua. Os raios ultravioletas do sol causam danos ao colágeno causando a fragilização das fibras que causam a flacidez da pele. A partir dos 30 anos a produção de colágeno pelo organismo passa a diminuir cerca de 1% ao ano. Assim aos 50 anos de idade a produção se resume a 35% apenas, por isso é recomendável sua reposição através de fármacos.

A visão é outro órgão do corpo afetado pelo envelhecimento. O cristalino do olho possui células que não se renovam com o tempo assim como o coração e algumas células cerebrais. Elas permanecem as mesmas do nascimento à morte. Com a idade o cristalino se torna mais rígido e com mais dificuldade para focalizar. Fica difícil se adaptar às variações de claro e escuro. E para piorar os olhos ficam mais secos.  As lágrimas que serviam para lubrifica-los ficam mais escassas. Estudos mais recentes tem demonstrado que os olhos são importantes para regular os órgãos internos do corpo como o coração. Os olhos que absorvem menos luz desregulam o organismo causando insônia ou sonolência em momentos inoportunos.
Além do colágeno, os hormônios, tão generosos e equilibrados na juventude, sofrem uma queda. O estrógeno e testosterona que dão as belas formas corporais e também o hormônio do crescimento estão entre os hormônios reduzidos durante o envelhecimento.  Por isso começamos a definhar perdendo 3 quilos de músculos por década. Mais leves, nós tendemos a comer menos porque gastamos pouca energia. Se insistirmos em comer, o excedente é armazenado na forma de gordura.

Por isso é comum encontrar idosos gordos e sem músculos aparentes.  Engordar é uma das principais evidências visuais durante a terceira idade. As mulheres engordam mais nos quadris devido à ação do estrogênio, mas com a queda desse hormônio também podem engordar na barriga. O homem, por sua vez engorda mais na região visceral, ou seja, na barriga, onde a testosterona atua mais na segunda metade da vida. A reposição hormonal nessa fase da vida ajuda a revitalizar o corpo.

A capacidade de o corpo metabolizar gorduras diminui conforme a idade avança. As mitocôndrias são estruturas celulares que controlam esse metabolismo.  As mitocôndrias funcionam como centrais energéticas que convertem oxigênio e nutrientes dos alimentos em energia para o corpo. Há uma quantidade delas em cada célula, sua quantidade e eficiência diminuem deixando acumular a gordura que deveria ser queimada. Por isso é necessário acompanhamento nutricional já que uma pessoa pode comer além do que o corpo pode usar.

A mitocôndria utiliza as moléculas dos alimentos e com elas cria uma molécula especial chamada ATP que contém 90% da energia que a célula irá precisar para realizar seu trabalho como produzir proteínas, se movimentar, excretar os resíduos celulares e até trocar íons com células próximas. Uma célula sadia possui centenas de mitocôndrias espalhadas pelo citoplasma. Sua redução provoca diversos danos ao corpo comuns do envelhecimento e a primeira parte do corpo que sofre com a falta de energia é o sistema nervoso central seguido pelo coração, músculos e rins.

Os radicais livres antigamente eram apenas uma ideia. Não eram comprovados, mas já havia certa preocupação da presença de toxinas orgânicas que prejudicassem as células do corpo. Porém, com o passar do tempo, descobriu-se que tais agentes existiam de fato e eram produzidos naturalmente pelas próprias mitocôndrias que ao utilizarem o oxigênio que respiramos acaba liberando dele os radicais livres que causam danos à estrutura mitocondrial e, consequentemente, tornando a produção de energia ineficiente para todo o corpo. Através dessa descoberta verificou-se que o oxigênio que tanto nos é essencial é também tóxico ao longo da vida celular. Uma alimentação balanceada ajuda a célula a combater tais radicais livres.

As gorduras que aumentam proporcionalmente à idade se alojam em várias partes do corpo, principalmente no abdômen em homens e mulheres. Tais gorduras gostam de locais vazios para se instalarem como os vãos entre os órgãos internos, principalmente sobre os intestinos. Mas o risco maior está no acúmulo de gorduras no interior de artérias importantes e próximas ao coração diminuindo o diâmetro por onde o sangue circula. Para o coração conseguir irrigar todo o corpo ele precisa bombear com mais força para romper a resistência que a gordura oferece nas artérias.

Em casos graves a gordura sela totalmente a passagem do sangue e o músculo do coração que precisa do oxigênio entra em espasmo. Temos então um ataque cardíaco, o principal causador de mortes naturais no Brasil. Mais uma vez a alimentação adequada e exercícios são os melhores fatores para evitar o acúmulo de gorduras e, caso já houver o acúmulo, o melhor tratamento. Vale lembrar que a gordura não se mistura com o sangue. Por isso, se não houver uma fluidez correta no sangue, há a formação das placas nas paredes internas das artérias. As placas nada mais são do que “células obesas”.

A gordura, na verdade, é o tão popular colesterol ou mais tecnicamente, um lipídio. O corpo produz colesterol, mas ingerimos também em alimentos como leite, carne, ovos e frituras em óleos. No organismo existem dois tipos de colesterol. O colesterol ruim denominado como LDL que causa entupimento das artérias e o colesterol bom chamado de HDL que não se acumula e flui mais naturalmente pelo sangue exercendo corretamente função que é de manter a consistência das membranas celulares.

Aos 50 anos de idade estamos cercados de tarefas, mesmo com o corpo exigindo descanso. Infelizmente, a mesma medicina que nos dá mais tempo de vida curando diversos males, também abre portas para males ainda não compreendidos pela medicina. O corpo humano está sempre recebendo upgrades médicos para dar conta do recado da vida estendida além do que já foi um dia. Antigamente vivíamos menos. Hoje vivemos o dobro comparado com séculos atrás. O metabolismo fica mais lento e um idoso que quer seguir uma vida ativa fica frequentemente estressado com mãos geladas e rosto pálido.

Os hormônios envolvidos na velhice podem ser prejudiciais à saúde nessa fase da vida. O cortisol deixa o temperamento pessoal mais difícil de lidar e a adrenalina faz a pressão sanguínea subir com a aceleração do coração. Nossos antepassados precisavam desses mecanismos para sobreviver em meio aos predadores num momento que exigia agilidade para uma fuga ou defesa. Mas hoje tais hormônios ainda estão presentes e se intensificam em situação diferentes como contas, trânsito congestionado ou o filho que anda em más companhias.  É o chamado estresse que causa danos ao organismo.

O estresse foi emprestado da física (desgaste de materiais) e usado pela primeira vez em 1936 para definir o desgaste físico e mental de um indivíduo frente às adversidades do meio em que vive. Os efeitos mais prejudiciais são os danos cardiovasculares e hormonais comuns conforme ocorre o envelhecimento do corpo. Os vasos sanguíneos se desgastam mais rapidamente. As células que revestem a camada interna das artérias se tornam mais rígidas após sofrer muitas pressões e a aorta é a artéria mais agredida. É um ciclo onde a agressão causada pelo estresse causa mais estresse.

Na verdade o coração é um dos músculos do corpo humano que se hipertrofia, ou seja, que aumenta seu volume para enviar sangue por entre as artérias que perderam a flexibilidade. Acidente Vascular Cerebral (AVC) é quando um vaso ou artéria no cérebro da pessoa se rompe devido a sua fragilidade em suportar a pressão sanguínea, é o chamado derrame cerebral. O estilo de vida que a pessoa levou até a fase mais avançada da vida determina como será a saúde, mas também há fatores genéticos e até mesmo cerca de 5% das crianças já tem hipertensão arterial devido à alimentação.

A menopausa é popularmente vista como o período em que a mulher não menstrua mais. Mas tecnicamente a menopausa é o nome dado a ultima menstruação. O climatério é o termo mais correto que define um período, que pode levar anos, quando a mulher vai perdendo a capacidade reprodutiva e o período pós-menopausa é o período seguinte ao climatério. O corpo feminino sofre com essas transformações, seus ovários param de produzir óvulos e os níveis de estrógeno e progesterona decaem. É o fim da idade reprodutiva.

A falta de hormônios femininos altera o comportamento da mulher que perde o sono, seu humor e disposição ficam comprometidos. O hipotálamo que regula a temperatura corporal (uma de suas funções) também é afetado pelo período improdutivo da mulher que sente ondas de calor, arrepios e até mesmo frio. Os ossos e músculos também precisam dos hormônios e com a carência eles ficam frágeis. Para compensar a falta dos hormônios estrogênio e progesterona devido ao climatério e pós-menopausa alguns tratamentos são indicados dependendo dos sintomas que podem variar de mulher para mulher.

A falta de estrogênio no corpo feminino provoca alterações na distribuição das gorduras localizadas, aumenta o risco cardiovascular, dores nas juntas, osteoporose, dores musculares, tonturas, secura vaginal, ondas de calor entre outros sintomas. A mulher fica assustada quando chega nessa fase e geralmente fica deprimida e isso piora ainda mais o quadro. A reposição hormonal é indicada e ajuda bastante, mas o ideal é complementar o tratamento mantendo um bom estilo de vida praticando exercícios e a alimentação deve ser saudável.

O nascimento de um neto é indício biológico suficiente para indicar que não somos mais necessários para a perpetuação da espécie. Nossos descendentes seguirão suas vidas dando continuidade aos genes da família, estejamos ou não por perto.  Aos 70 anos já somos avós ou até bisavós. Nossos movimentos se tornam mais lentos e as características físicas do envelhecimento são indisfarçáveis. Ao contrário da infância, agora nossos sentidos estão fracos e danificados.

Entre os sinais do envelhecimento podemos destacar a perda de memória, surdez, cegueira, lentidão dos reflexos, insônia e até depressão. Os cílios do ouvido, responsáveis pela captação do som vão se deteriorando ao longo da vida. Primeiro os sons agudos deixam de ser captados e depois os sons mais graves.  Os ossículos que intermediam as ondas sonoras do tímpano para dentro do ouvido endurecem. Fica difícil ouvir o que os outros falam.

O cristalino do olho se enrijece e se torna amarelado. As pupilas se estreitam. Estudos mais recentes indicam que a intensidade da luz que adentra os olhos e são captados pela retina, tem um papel importante no ritmo cardíaco do ser humano (além de outras funções). As pesquisas atuais sugerem que a luz do início do dia incita o cérebro a produzir cortisol que estimula o coração dando início a mais um dia de atividades e que a queda na incidência da luz, seja devido ao anoitecer ou uma deficiência visual estimula o cérebro a produzir um hormônio denominado melatonina que relaxa o corpo.

Com a idade avançada e os olhos comprometidos o corpo fica com alguns hormônios desregulados, dentre eles os que controlam o ritmo cardíaco. Vale lembrar que mesmo pessoas jovens com incapacidades visuais podem ter os hormônios desregulados. Os olhos não reconhecem apenas a intensidade da luz, mas também o comprimento da onda, como a luz azul. Mas essas afirmações ainda requerem estudos mais profundos porque se trata de um estudo recente.

Apesar de o corpo continuar produzindo células novas, alguns órgãos do corpo não dão conta mais para repor as células perdidas. Os osteoblastos, que são as células dos ossos, são produzidos em menor quantidade. Os ossos vão perdendo densidade, ou seja, vão ficando porosos e isso os torna frágeis causando a popular osteoporose entre os idosos que sofrem fraturas com simples impactos do dia a dia. O cuidado com os idosos deve ser dobrado, sua casa deve ser adaptada para evitar acidentes e sempre haver ao lado deles acompanhante. As alterações hormonais da menopausa aceleram a osteoporose nas mulheres que são as principais vítimas da fragilidade óssea.

Entre os 40 a 60 anos o corpo muda de forma mais acentuada. Isso se deve ao organismo que não possui mais a mesma capacidade de repor células que morrem. O corpo produz bilhões de células novas todos os dias através da divisão celular conhecida como mitose, quando a célula gera uma cópia idêntica (ou quase) a ela, com os mesmos genes. É aí que mora o perigo. A divisão celular não é perfeita e a cópia pode conter pequenas falhas genéticas que são transmitidas cada vez que ocorre a mitose.  À medida que ocorrem as divisões as falhas vão se acumulando e causando inúmeros problemas biológicos em idosos.

Para compreender melhor, a divisão celular é como a cópia de uma foto feita em uma copiadora. Cada vez que a cópia é copiada, sua nitidez vai se perdendo e causando falhas na imagem até que não seja possível mais definir o que a imagem mostra. Aos 70 anos nosso rosto já está em sua 35ª cópia. É por isso que parecemos tão diferentes quando estamos mais velhos.
Nosso corpo não é perfeito. As células não são perfeitas, porque se fossem, viveríamos para sempre. Além das células serem suscetíveis às falhas genéticas desde o nascimento, as mitocôndrias usam o oxigênio para produzir energia para o corpo e infelizmente, liberam poluentes no sangue chamados radicais livres. Mas não são os poluentes atmosféricos. Mesmo com oxigênio puro, as mitocôndrias descartam íons que são prejudiciais às próprias mitocôndrias que passam a produzir menos energia. Essa carência de energia impede a divisão celular ou a correção das falhas genéticas e com isso os órgãos podem adoecer.

A morte está incubada em nosso DNA que, além de ajudar no desenvolvimento do nosso corpo ao longo dos anos, também limita nossa vida. A cada divisão, uma pequena porção do DNA se perde e após inúmeras divisões o DNA não possui capacidade de se dividir novamente em novas células.

O processo de morte é lento. A medicina tenta prolongar a vida. A expectativa de vida aumentou e hoje temos mais idosos do que em outra época da humanidade. Mas a morte ainda é certa devido aos danos causados nas células. Os órgãos vão perdendo sua eficiência. Nas últimas batidas do coração o corpo libera hormônios para amenizar as dores, como a endorfina, um anestésico natural produzido pela hipófise (região cerebral responsável por vários outros tipos de hormônios).

O coração envia sangue com oxigênio para todo o corpo. Quando o coração para, os órgãos também param de funcionar devido à falta de oxigênio. Em 10 segundos a atividade cerebral para. Porém há controvérsias e alguns especialistas defendem que a morte cerebral pode levar até 6 minutos. Em 4 minutos o cérebro é lesado irreversivelmente pela falta de oxigênio. A audição é o último sentido a nos abandonar. A pele ainda se divide por 24 horas após a parada cardíaca.  Apesar de a morte cerebral ter uma definição que pode levar minutos, o último neurônio pode levar 36 horas até cessar sua atividade.

Devido aos avanços médicos, quem nasce hoje tem expectativa de viver mais de 80 anos. Alguns estudos apontam que metade das crianças de países desenvolvidos viverá até aos 100 anos. Tudo isso se deve aos avanços médicos, a educação alimentar e às atividades de risco reduzidas. As doenças crônicas tendem a aumentar, mas as pesquisas mostram que desde 1840 a expectativa de vida do ser humano vem aumentando e não mostra sinais de desaceleração, por isso podemos supor que viveremos em média 100 anos futuramente. Além disso, cerca de 40% dos idosos acima dos 92 anos possuem independência para pelo menos tomar banhos, caminhar e se alimentar. A tendência é que a qualidade de vida melhore nas próximas décadas assim como vem se mostrando nas últimas décadas.

Fim

Bibliografia:
Os espermatozoides são inteligentes e sabem contar - http://hypescience.com/os-espermatozoides-sao-inteligentes-e-sabem-contar/
Estimulando o paladar da criança - http://guiadobebe.uol.com.br/estimulando-o-paladar/
Como se Forma a Casca da Ferida? Revista Mundo Estranho – Edição 138 – Maio de 2013 – Páginas 52 e 53
Significado de Monogamia - http://www.significados.com.br/monogamia/