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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Evolução das Espécies

Fonte: Vídeo-aula "Evolução das Espécies"
EducaBahia

Para entendermos o que é a evolução biológica precisamos ententer primeiramente que o conceito de evolução está baseado em dois princípios. O primeiro é o transformismo. O tranformismo é uma idéia que estabelece que as espécies mudam com o passar dos tempos. As espécies se transformam com o passar do tempo geológico, originando inclusive novas espécies. O segundo grande princípio é o conceito de ancestralidade comum, ou seja, todos os organismos existentes no planeta atualmente descendem de um mesmo ancestral. Um organismo que iniciou a vida em nosso planeta. É verdade que, durante muito tempo, as idéias evolucionistas foram combatidas pelo fixismo. Tal idéia era difundida principalmente pela igreja, pela religião e estabelecia (ou estabelece uma vez que o fixismo é defendito até hoje) que todas as espécies foram criadas por um ato divino e são fixas e imutáveis. Ou seja, as espécies não se modificariam ou não seriam capazes de se transformar.
Entretanto, existem várias evidências que comprovam as ciências evolutivas, entre elas
a anatomia comparada, a biologia comparada e principalmente a palentologia que é o estudo dos fósseis e nos permite evidenciar a história da vida em nosso planeta.
Para explicar a evolução surgiram várias teorias entre as quais se destacam duas principais: A Teoria de Lamarck (Lamarckismo) e a grande Teoria de Darwin (Darwinismo).

Lamarckismo
Jean-Baptiste de Lamarck foi um natualista francês que explicou o processo evolutivo criando duas leis: Lei do Uso e Desuso e a Lei da Herança dos Caracteres Adquiridos.
Através da Lei do Uso e Desuso Lamarck defendia que o desenvolvimento dos orgãos dependiam de sua utilização pela espécie. Ou seja, em uma determinada espécie, um órgão muito utilizado e muito solicitado tenderia a se desenvolver. E quando ocorria o contrário, um órgão que se tornasse desnecessário, menos utilizado, ou seja, que entrasse em desuso, tenderia a atrofiar e até mesmo desaparecer com o passar do tempo. Essa idéia pode ser comprovada apenas parcialmente como o desenvolvimento muscular em atletas. Os atletas, devido ao uso intensido dos músculos apresentam, com o passar do tempo, uma hipertrofia muscular. Pelo contrário, os paralíticos, devido a falta de utilização dos músculos apresentam, com o passar do tempo, uma atrofia muscular. Entretando, essa idéia de Lamarck do uso e desuso dos órgãos não pode ser ampliada, generalizada para todos os órgãos.
A segunda lei de Lamarck, a Lei dos Caracteres Adquiridos baseada na idéia de que as características adquiridas pelo indivíduo ou pela espécie devido ao uso e desuso dos órgãos poderiam ser transmitidas aos seus descendentes. Lamarck defenderia que um indivíduo que apresentasse hipertrofia muscular devido à utilização dos músculos em exercícios ao se reproduzir teria filhos musculosos. Claro que essa idéia é completamente errada, pois foi comprovado que não há transmissão de caracteres adquiridos. Características adquiridas pelas ações do meio ambiente ou pelo uso ou desuso de órgãos jamais são transmitidas aos descendentes.
Para explicar a idéia de Lamarck podemos lembrar daquela velha estorinha do crescimento do pescoço da girafa. Lamarck defendia que as girafas primitivas tinham todas o pescoço curto. Com o passar do tempo, essas girafas, precisavam esticar o pescoço para se alimentarem das copas mais altas das árvores, então o uso do pescoço teria causado o seu alongamento e essa característica foi transmitida aos seus descendentes. Sendo assim, o Lamarckismo não é a teoria correta. A teoria correta para explicar a evolução das espécies é o Darwinismo.

Darwinismo
O Darwinismo é a teoria criada por Charles Darwin, um grande cientista inglês que, em 1831, embarcou em um navio chamado HMS Beagle e empreendeu uma volta pelo mundo. O objetivo era mapear a costa da América do Sul. Nessa viagem, Darwin coletou ao longo de cinco anos, até 1836, vários dados sobre a fauna e a flora de todo o mundo dando ênfase pela passagem nas Ilhas Galápagos no Oceano Pacífico. Ao retornar para a Inglaterra em 1836, Darwin leu os trabalhos de Thomas Malthus que defendia que a espécie humana cresce mais rapidamente do que os recursos alimentares e isso provocaria uma falta de alimentos aumentando a competição, guerras e fome. Darwin, baseado nos trabalhos realizados em sua viagem e nas leituras dos trabalhos de Malthus, elaborou uma teoria baseada num processo chamado "seleção natural" para explicar a evolução das espécies que pode ser sumarizada assim:
Segundo Darwin, o que está correto, as populações apresentam um grande potencial reprodutivo (potencial biótico), se reproduzem muito rapidamente e, consequentemente, não há recursos alimentares para todo o mundo, portanto ocorre falta de alimento, falta de espaço, falta de água e outros fatores ambientais.
Isso gera nos indivíduos um processo de competição, uma verdadeira luta pela existência. Por outro lado, os indivíduos de uma mesma espécie não são todos iguais e apresentam diferenças entre si, variações. E essas variações podem se favoráveis ou desfavoráveis (relações negativas). Nessa luta pela vida, nessa competição, os indivíduos portadores de variações favoráveis, aqueles que são mais aptos tem mais chances de sobreviver. Como tem mais chance de sobreviver tem, também, mais chance de reprodução, transmitindo as suas características favoráveis aos seus descendentes. Assim é que a espécie vai mundando com o passar do tempo.
A esse processo de sobrevivência dos mais aptos é que damos o nome de seleção natural. Ou seja, segundo Darwin ocorrem variações entre indivíduos da mesma espécie. Há um processo de competição, uma luta pela vida, então opera a seleção natural executada pelo meio ambiente. Sobrevivem aqueles que estão mais aptos e que se ajustam melhor às condições ambientais enquanto que os indivíduos menos aptos e com condições menos favoráveis, com variações inadequadas tendem a ser eliminados. Tudo isso é que é denominado "seleção natural".
Para exemplificar o raciocínio darwiniano podemos voltar ao caso das girafas. Para Darwin, as girafas ancestrais não eram todas iguais. Elas apresentavam variações. E essa variabilidade incluia o tamanho do pescoço. Algumas girafas tinham o pescoço mais longo e outras o pescoço mais curto. O que aconteceu? Com o passar do tempo, provavelmente devido à competição com outros animais rasteiros, houve a diminuição da vegetação rasteira, as girafas necessitavam se alimentar das folhas das árvores, a mudança do ambiente forçou esse novo hábito. Para se alimentarem das folhas das árvores, as girafas de pescoço longo estavam melhor equipadas, apresentavam uma variação favorável. Tinham vantagens na obtenção do alimento. Elas seriam os indivíduos mais aptos. Já as girafas de pescoço curto teriam menos chance, teriam mais dificuldades de se alimentar alcançando as folhas das árvores. A partir daí o ambiente começou a executar o que chamamos de "seleção natural". Aquelas girafas de pescoço mais longo, melhor equipadas e mais aptas tiveram mais chance de sobreviver. As girafas de pescoço curto, menos aptas, foram sendo eliminadas morrendo de fome.
Assim as girafas de pescoço mais longo apresentaram também mais sucesso reprodutivo e, ao se reproduzirem mais, transmitiram a característica favorável (pescoço longo) para os seus filhos geração após geração. Assim chegamos às girafas atuais que apresentam pescoço bem mais longo. É isso que entendemos como seleção natural. O processo natural onde o ambiente atua nas espécies de forma lenta, literalmente escolhendo para sobreviver na natureza aqueles indivíduos mais aptos, aqueles indivíduos com variações adaptativas. Essa é a contribuição de Darwin para a ciência. Para a mudança que ocorreu em todo o mundo científico após essa sua grande descoberta.
É importante frisar que Darwin não criou uma teoria completa. Há uma lacuna na teoria de Darwin que não soube explicar a origem de toda essa variabilidade, a origem dessas variações entre os seres-vivos. Nós sabemos hoje em dia, graças à genética, que essa variabilidade decorre de dois fatores básicos: As Mutações e as Reconbinações Gênicas.

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